Procurando emprego pelo do Twitter

Não gosto muito do Twitter. Na verdade, odeio. Acho uma dessas ondas que as pessoas pegam, usam, destroem como gafanhotos, depois abusam e esquecem da existência, sem sequer cancelar o cadastro. Não duvido que, num futuro próximo, os bancos de dados do Twitter sejam um grande cemitério de usuários fantasmas. Além do modismo, o site parece perfeito para quem tem TOC: “estou fazendo isso agora; estou fazendo aquilo; acabei de chegar de tal canto” e por aí vai.

Apesar do meu desgosto, tenho de considerar a criatividade de diversas pessoas que conseguem desvirtuar o projeto original do site e transformam seu uso - com ou sem utilidade. Exemplo um tanto tosco seria o Botanicalls Twitter, um sistema que monitora plantas em vasos e avisa - com uma twittada - que elas precisam de água.

Ok, minha vida vai mudar adquirindo um negócio desses. Imagino que o bonsai que comprei para minha mãe irá agradecer muitíssimo - quem sabe até mandando um scrap pelo Orkut. Agora, falando de algo mais útil, temos aqui o Link Zero, um microblog no Twitter que funciona como classificados para jornalistas. Bacana.

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Firefox Download Day

A Fundação Mozilla lançou uma campanha promocional para a nova versão do Firefox, navegador do qual é desenvolvedora. O objetivo - além da própria divulgação, claro - é estabalecer um novo recorde de downloads de um programa em 24 horas.

Longe de querer levantar a bandeira e comprar briga pela filosofia do software livre, divulgo, antes de tudo, na tentativa de fazer uma web melhor. Pois aquele cretino “e” azul no nosso desktop não é sinônimo único de Internet. Quem ainda não se tocou, nem imagina a maravilha que essa rede pode ser.

Em tempo: o Firefox é gratuito, conta com a colaboração de pessoas do mundo inteiro, possui inúmeras extensões (ou plugins, como queiram) e temas (para deixá-lo mais bonitinho) e é mais leve que o Internet Explorer 7.

Querendo baixar, segue o link no banner abaixo. =)

Download Day - Portuguese

ps: quem não gosta do Firefox, que tal tentar o Opera?

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Posso pagar com SMS?

Um estudo feito para a Nortel, fabricante norte-americana de equipamentos telefônicos, aponta que a maior parte dos trabalhadores entrevistados portaria consigo o celular ao invés da carteira, caso necessitasse se ausentar de casa por 24h e pudesse carregar apenas um objeto. Para saber mais, basta ir no site da Reuters ou ver a tradução da matéria no G1.

A pesquisa teve o intuito de mensurar a quantidade de trabalhadores hiperconectados pelo mundo. No total, foram ouvidas 2.367 pessoas em 17 países diferentes. No final das contas, descobriram que menos de 30% levariam a carteira consigo numa situação como a já citada.

O termo hiperconectado foi utilizado para designar aquele que usa ao menos 7 aparelhos para fins profissionais e pessoais, além de 9 serviços como mensagens instantâneas, de texto ou conferência pela web (considerações amplas, não?).

Estava no trânsito quando ouvi a notícia pelo rádio. E como o engarrafamento é um ótimo local para a prática da reflexão, cheguei a algumas conclusões de como faz sentido a resposta majoritária dos entrevistados. Vejamos:

  1. Numa situação de dificuldade, posso usar dinheiro para me safar. Mas também posso ligar para alguém - conhecido ou autoridade. E, se o aparelho telefônico estiver ao meu lado, não a uns 300 metros de mim, mais fácil ainda. Ponto para o celular, por sua portabilidade.
  2. Se não tenho celular em mãos, posso usar dinheiro para comprar um cartão telefônico e usar o orelhão. Posso comprar um celular, também. Posso até pagar pela ligação, no caso de um amigo sovina. Mas o celular também já não funciona como dinheiro, vide Oi Paggo? Ponto para o celular, por sua versatilidade.
  3. Esta é demais: no caso de uma grande devastação ou situação de extermínio, como numa epidemia de zumbis, poderia-se usar o bluetooth para procurar sobreviventes humanos. Ou GPS, até. Claro, se essas coisas funcionarem. E com dinheiro, o que poderia ser feito? Ponto para o celular, por sua resistência.
  4. Melhor que esta não há: o celular pode salvar a vida de alguém, ao servir de escudo no caso de uma bala perdida - supondo que ele esteja no bolso da camisa, em frente ao coração. O que uma cédula de R$ 50,00 faria num caso desses? Poxa, ponto para o celular, por sua portabilidade, versatilidade e resistência.

Ironias à parte, tenho consideração quanto ao uso de celulares, smartphones, PDAs, whatever, mesmo não gostando muito de andar por aí com bugigangas nos bolsos, e desde que não cheguemos a situações tão patéticas quanto as que coloquei acima. Ou seja, de total dependência, e até impotência, caso o mobile nos falte. E, de qualquer forma, temos de considerar que o fato de tantas pessoas preferirem portar minutos a dinheiro (!) significa alguma ruptura no modo de ver as possibilidades de sobrevivência, dentre outras tantas coisas, como a comunicação, a sociabilidade ou as relações econômicas.

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Realmente, acabou em samba

Há um tempinho atrás, apareceu na Internet a campanha “Você Escolhe”, divulgando uma nova companhia aérea a ser lançada no Brasil. Como parte do todo promocional, os internautas poderiam entrar no site e sugerir um nome para a empresa (ou votar nos finalistas). Como numa legítima eleição, o nome ganhador seria para batizar a companhia. Mas José preferiu ser chamado de João, segundo notícia do Blue Bus.

Essa história está bem longe de ser algo perigoso como uma eleição presidencial. Mas há duas coisas que merecem reflexão:

  • Primeiro: se o povo brasileiro aceitar o desfeito da empresa, vai corroborar mais uma vez seu lado passivo. Que venham novos golpes militares, portanto, que nós merecemos.
  • Segundo: acho que isso é só a ponta do iceberg. Há muito mais falta de atenção por parte das companhias que um mero “não gostei do nome, vá se danar”. É preciso lembrar dos SAC’s que nunca funcionam, dos “Fale Conosco” que demoram eternidades para uma resposta e das compras via Internet que, igualmente, são verdadeiros partos em termos de eficiência. E há muito mais blocos de gelo debaixo d’água, certamente.

Em tempo, o título deste post foi “levemente” inspirado no texto da Ana Brambilla, no OhMyNews.

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I wanna play Unreal

É muito fácil culpar o os jogos eletrônicos quando um jovem ou uma criança apresenta comportamentos agressivos, anti-sociais ou meramente estranhos. Mas não vejo muita gente falando que o filho se tornou um grande esportista ou um bom administrador por ter sido influenciado pelo video game.

Sobre essa velha querela, um link da Reuters que faz pensar.

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O Orkut e a inclusão digital

Certa vez, um amigo falou numa roda: “Acho que o Paulo Coelho tem uma importante função social”. Diante do que foi dito, nós, os demais, em tese minimamente “alfabetizados” para não engolir aquelas palavras, ficamos um tanto quanto estupefatos, naquele típico momento unanimemente burro. Entretanto, escondia-se ali uma simples pausa. Após molhar seu bico, o rapaz continua: “Ele serve como início, como ponte. As pessoas que não têm o costume de ler podem começar por ele para depois partir a novos desafios”.

Sagaz, meu amigo matou a Veronika e o Alquimista com um best seller só (que trocadilho foi esse!): disse que as obras do nosso mago não eram tão boas quanto as velhas machadianas ou alencarinas, nem tão ruins a ponto de servirem de encosto para porta. Perfeito.

Longe de querer discutir a qualidade de Paulo Coelho… Não, não. Deixo isso para os críticos. Mas que a idéia de meu amigo faz sentido, isso faz. Afinal, de certa forma, não é tentador ver aquele livrinho laranja da pipa ou o superlançamento da semana do tipo “Como ser feliz e bem sucedido nos negócios, mandar bem na cama e comprar o carro do ano em apenas 10 passos”? Ainda mais quando os encontramos nos supermercados, quase disputando lugar com presuntos, pneus, cadeiras de praia, travesseiros…

Não parece óbvio que Paulo Coelho e o exército de escritores de mercantil, digamos, são como o prêt-a-porter? Heróis da democracia, facilitadores do difícil, dão acesso ao inacessível e trazem a nós o inalcançável. Espertos, inteligentes, cultos, não fingem ter uma dieta baseada em dicionários - apesar de tanto conteúdo na cabeça. Com eles, tudo é muito simples, muito direto. Complicar pra quê? No fundo, são tal qual a Ana Maria Braga, que só precisa tucanar o “amido de milho” por questões profissionais.

E a maldita inclusão digital?

Não sou eu que acho ruim a inclusão digital. A frase não é minha, apenas a li por aí diversas vezes - em geral quando leio comentários de coisas toscas como as pérolas do Orkut (ver tais preciosidades aqui ou aqui). Sim, gosto dessa tosqueira. Melhor que televisão…

Em linhas gerais, “incluir digitalmente” é aumentar a proximidade entre, nós, a sociedade, e as novas tecnologias, incorporando-as ao nosso dia-a-dia, seja no trabalho, na cidadania, no lazer, no consumo cultural etc. Não se trata apenas de dar instrução jumental para uso de Offices da vida - seja o pago, seja o gratuito - tampouco de comprar computadores e dar acesso a eles, como quem diz “pronto, senta aí e te tira”.

A inclusão digital se faz presente de muitas outras formas. Com o (verdadeiro) jornalismo colaborativo, com a criação (e manutenção) de comunidades virtuais (por mais que esse seja um tema caro a muitos pensadores), com o acesso à informação ou à possibilidade de se produzi-la… E por aí vai. E, apesar de ver uma cultura “televisiva” em certos casos - no pior sentido passivo que essa idéia possa ter -, ainda me pego pensando nesse papel de Paulo Coelho que tem o Orkut, MSN e similares.

Sim, afinal, quem de nós não conhece ao menos uma pessoa que nem pegaria no computador se não fossem esses brinquedinhos? Se não fossem os amigos dos chats, as possibilidades de fofoquinhas nas comunidades, aquela espiadinha no fotolog…? Ok, o uso de tais ferramentas é meramente baseado no entretenimento. Mas, a partir de e até que ponto essa utilização pode se transformar em algo mais “sério”? Como a apropriação da técnica pode trazer mudanças significativas - num sentido emancipatório - para a vida das pessoas? O que se pode tirar em termos educativos e profissionais daquilo que parece meramente um grande “besteirol”?

Questão de estética

A inclusão digital acaba, por vezes, sendo preocupante, não por ela em si, mas pelas reações que traz, como as adversidades ocasionadas pela apropriação de determinado espaço virtual por parte de um grupo de certa forma não muito desejado - por outros grupos, é claro.

Uma pequena amostra seria a comunidade “Esse Orkut tá muito misturado”. O número de usuários é insignificante (205, no momento desta edição), mas a idéia, não, e o perigo que se esconde por trás dela tem a ver com a problematização do digital divide (se encararmos o termo além de uma acepção geográfica). Muito mais que o acesso ou não às tecnologias da informação, o importante talvez seja pensar na distância virtual que separa classes socioeconômicas diferentes, da mesma forma como existem as separações físicas: o apartamento de luxo, a cerca elétrica e o carro blindado de um lado; a escola deficiente, o esgoto a céu aberto e a saúde em frangalhos, do outro.

Para finalizar, ficam, então, algumas perguntas, ao invés de um fechamento conclusivo:

  • O uso de ferramentas e serviços de entretenimento podem dar origem a outras formas de manuseio - mais profissionais ou educacionais, por exemplo? Como se daria esse processo?
  • Haveria formas de se evitar a manifestação de preconceito, como no caso da “mistura” no Orkut? Há que se tratar como crime ou isso só engrossaria o caldo que já nem deveria existir?
  • Como as empresas donas dos serviços encaram tais separações? Como evitar que a apartheid venha da própria empresa? O que fazer caso se forme uma fila na porta do Orkut, por exemplo?
  • Afinal, Paulo Coelho é ou não literatura? (eu perco o leitor mas não perco a piada)

Para ler um pouco mais:

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Nós e a web

Se fôssemos enumerar as utilidades da Internet, não chegaríamos ao fim tão cedo - se é que haveria um fim. Se fôssemos pensar sobre as possibilidades do hiperlink, idem. E nas relações entre os links, a informação e seu uso, as pessoas e o que se constrói depois de tudo isso misturado… Eita, haja coisa.

Para não se criar uma epopéia sobre a Internet, às vezes é preciso sintetizar algumas coisas em breves momentos. E este vídeo o faz muito bem, ainda que, às vezes, deslize um pouco na sua linha de raciocínio:

Só discordo que tais considerações sejam típicas da web 2.0, sendo, portanto, intrínsecas à própria noção de rede de pessoas. Mas essa discussão merecem outros 5 minutinhos de resumo.

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Vamos ao cinema com o Zlango?

Vi no Digitalismo.com e achei a idéia sensacional: trata-se de Zlango, uma empresa que oferece “um novo modo de comunicação e expressão”, segundo ela mesma.

O que ela fez? Criou uma linguagem baseada em ícones voltada a mensagens curtas e rápidas, como os SMS - ou torpedos. Cada desenho corresponde a uma idéia, o que pode vir a acelerar a conversa ente os dois ou mais pólos envolvidos na troca de mensagens. Assim, uma mensagem como “Vou ao cinema amanhã. Vem comigo?” ficaria algo como:

Vou ao cinema amanhã. Vem comigo?

Acredito que o conceito vá além dos emoticons e abreviações tão recorrentes no dia-a-dia, proporcionando mesmo uma experiência relativa a outros tempos. Apesar de achar a proposta bem interessante, entretanto, tenho minhas dúvidas quanto à real eficácia. A mensagem acima, de certa forma, não parece um tanto dúbia? Bem, no fundo talvez isso se dê por eu já não ser assim tão jovem e ter um perfil menos ligado a novidades tão, ann, estranhas…

O serviço também serve para mostrar que as academias de letras e seus membros podem se arrepiar da cabeça aos pés, mas a comunicação é (e espero que sempre seja) dinâmica e dionisíaca demais para mofar resguardada a sete chaves, seja em bibliotecas ou na cabeça de intelectuais. Que saia às ruas, portanto.

Em tempo: há alguns emoticons do MSN que funcionam de maneira similar às mensagens da Zlango, não? Confesso que tenho um abuso tremendo daquilo e não consigo entender nada. Acho que vou mesmo me tornar um velhinho bem rabugento…

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Para que você se exibe, afinal?

Antes de tudo, a palavra exibicionismo irá aparecer, neste post, não no sentido sexual, ou tão somente. Embora possamos pensar em tal perversão no cotidiano da rede, o ato de se exibir do qual falo aqui representa uma situação de audiência pessoal, não necessariamente ligada a fantasias libidinosas.

Pois bem, a partir deste texto de Eric Dupin, fiquei matutando algumas idéias que vez por outra passam pela minha cabeça: dizem respeito a uma certa morte da privacidade, corroborada pela própria ânsia de exibição dos internautas - que encontraram na tal web 2.0 a oportunidade perfeita de conquistarem seus velhos 15 minutinhos de fama.

De antemão, já deixo claro: acho fantástica a possibilidade dos usuários comuns criarem seus próprios conteúdos (como assim faço agora). E que depois os compartilhe, dialogue sobre eles com outras pessoas e, daí, possam surgir mais e mais idéias - e conteúdos novos, portanto.

A questão aqui, entretanto, não está na produção de uma foto, um texto ou um vídeo (e sua posterior publicação), mas na construção da persona do internauta - ou de diversas, até. O que ele é, o que deseja ser e como ele pretende ser visto são perguntas importantes no processo de compreensão do indivíduo e da sociedade onde ele se insere. É uma espécie de construção de um personagem a partir do qual se deseja ser visto.

Excessos

Dupin mostra insatisfação com o excesso de informação produzida nos sites de redes sociais (”réseaux sociaux”) e, principalmente, pelos agregadores desse tipo de conteúdo, como o FriendFeed e o WhereIsMe, serviços que, de uma forma geral, reúnem suas atividades na web para que depois você as exiba ao mundo. Assim, o blogueiro dispara:

[...]não vejo qual interesse pode haver, para mim ou para os outros, o fato de mostrar qual música escuto, quais fotos estou vendo ou fazendo o upload neste momento, ou em qual link acabo de votar no Digg. Não se trata mais de identificação social, trata-se de exibicionismo (tradução livre).

Em outras palavras, a foto que postei no Flickr, a música que ouvi no Last.fm, a notícia que acabei de votar no Digg, o artigo que li não sei onde etc., é como se já não mais nos pertencessem. Uma experiência que ficaria, a priori, na esfera do privado acaba por se publicizar, esquivando-se de nosso controle, e por nossa própria vontade. Claro, sempre há opções do que se compartilha ou não, mas… Sufocante? Eu acho. Diante de agregadores do tipo, é inevitável a pergunta: privacidade para quê?

Entendamos: o fim da privacidade, aqui, não tem mais nada a ver com cookies, rastreamento de IP, documentação de dados pessoais ou similares. Não se trata de nossas informações estarem nas mãos de grandes corporações (ou de hackers) e sobre o que fazem ou deixam de fazer com tais dados. Nesse ponto, não só parece que nós, consumidores de modo geral, perdemos a guerra como até passamos para o lado oposto, escancarando nossas janelas, deixando Truman e Ed mortos de inveja.

E por que se exibir?

Essa ciberexibição tem a ver, principalmente, com a construção de identidades, indo mais longe, a afirmação da sua própria existência. A informação que se consome, ao ser compartilhada, acaba “denunciando” quem a consome. Dá pistas, rastros, serve de índice. Sabendo disso, o usuário irá construir uma persona em cima dos seus hábitos. Persona essa que, a meu ver, de nada ou muito pouco vale saber se é verídica ou não, se corresponde com o “real” (ou, no dizer de Lévy, “atual”) ou é dotada de características totalmente fictícias, criadas e recriadas à vontade pelo internauta. E ao inventar tais personas, afirma-se a existência de cada um. Afinal, como é possível existir se não houver ninguém a nos presenciar?

Dessa mesma forma, um único indivíduo pode ser múltiplo, bem mais de uma pessoa em redes sociais diversas, ainda que se mostre com o mesmo nome e/ou fotos (não falo, portanto, dos chamados fakes). Posso ser alguém “engraçadinho” no Orkut, um “metaleiro” no Last.fm, um “fotógrafo sensível” no Flickr e uma “mistura” de tudo isso ao considerar a rede de blogs onde me insiro. Vivo, assim, a construção de diversos “eus” nas várias “tribos” das quais participo - para usar os termos de Maffesoli. Ou não: posso preferir ser a mesma pessoa - o que talvez até chegue a ser monótono, que ironia - em todos os lugares onde consumo e compartilho informações. Mas estarei, sempre, criando uma ou mais personas, e, certamente, irei preferir ser reconhecido tomando-as por base.

No fim das contas, Dupin acaba soltando: “Si j’ai envie de vous parler d’un coup de coeur musical, je le ferai ici et j’argumenterai”. (Se eu tiver vontade de lhes falar sobre alguma música da qual gostei, o farei aqui e argumentarei [o porquê] - tradução livre). Ao fazê-lo, Dupin não se dá conta de que estará dando rastros de si mesmo, e ao escrever sobre qualquer coisa em seu(s) blog(s), estará construindo sua(s) persona(s), e ele mesmo será um ator nessa “peça”. Ainda assim, sua inquietude diante do que chamou de “exibicionismo” não deixa de ser interessante, e sua postura de escrever me faz pensar sobre o quão tal atitude pode ser mais rica que simplesmente compartilhar a canção no Last.fm ou algo similar.

É claro, há muitos outros propósitos e formas de interação nas réseaux sociaux do que a própria exibição e a construção de seu eu. Para uma melhor compreensão, mais uma vez faço da Recuero um ótimo ponto de partida. Antenada como sempre, suas palavras me fazem a cabeça borbulhar.

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WordPress proíbido no Brasil

Pode ser ironia ou falta de inteligência, mas este blog foi criado justamente um dia após a notícia de que a justiça brasileira quer fazer do WordPress um novo caso-Cicarelli: o acesso aos blogs hospedados no sistema pode ser barrado nas terras tupiniquins. E todo mundo vai pagar o pato por causa de um único blog.

Nossas autoridades vêm dando um show de inaptidão ao julgar certos aspectos da cibercultura. A querela entre a já citada modelo/apresentadora de TV/ex-esposa do “Fenômeno”/whatever e o YouTube já é um clássico (ainda conto essa história aos meus netos). Outro exemplo seria a proibição dos jogos Counter Strike e Everquest.

O pensamento e a argumentação que sustentam tais decisões muitas vezes refletem uma única ética e um pensamento simplista e quase maniqueísta acerca da realidade. Quem bate o martelo nessas ocasiões parece ter uma distância imensa do seu objeto de reflexão. O pior, entretanto, é quando não manifesta nenhuma intenção de se aproximar e compreender a conjuntura toda.

Para quê se estuda mesmo?

Houve um comentário da Gabriela no blog da Raquel Recuero que me fez rir, ainda que de canto de boca (pois com essa censura toda, eu tenho é medo), dado o sarcasmo e inteligência das palavras: a impressão que dá é que quanto mais se estuda, mais se emburrece - com o perdão da palavra, senhores juízes. Mas fica aí um recado para o pessoal que sofre, ano após ano, nos concursos da vida: esquecem um pouquinho dos livros e apostilas e dêem uma espiadinha na folia da Cicarelli no YouTube. Quem sabe, assim, dá pra aprender outras coisas da vida além de conjugar verbos, somar 1+1 e decorar o número das leis.

Ainda resta a pergunta: que blog “feio, feio, feio” é esse que deu origem a todo essa história?

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